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| Onde verde não chega o estresse aumenta. As ilhas de calor urbanas são o resultado de cidades que priorizaram o concreto em vez das pessoas |
Nos últimos anos, ondas de calor mais intensas
e frequentes vêm se tornando realidade em diversas partes do planeta e isso tem
consequências profundas não apenas no conforto térmico, mas na saúde física e
mental das pessoas. Seja nas grandes cidades, nas periferias ou em comunidades
rurais, o calor extremo impacta o organismo de múltiplas formas, desde
mecanismos fisiológicos básicos até o equilíbrio emocional.
Entender essas consequências é essencial para prevenir
doenças, melhorar políticas públicas de saúde e aumentar a resiliência social
diante de um clima em transformação.
Por que o calor extremo afeta tanto o corpo
humano?
O corpo humano mantém uma temperatura interna
ao redor de 37 °C, ajustando continuamente seu balanço térmico por meio de
mecanismos como a sudorese e a dilatação dos vasos sanguíneos. Quando a
temperatura ambiente se aproxima ou supera a temperatura da pele, esses
mecanismos tornam-se menos efetivos, e o organismo pode entrar em estresse
térmico (Organização
Mundial da Saúde).
Quando a capacidade de termorregulação falha, o
corpo começa a acumular calor, elevando sua temperatura interna e colocando
órgãos vitais sob risco. Isso pode desencadear uma série de reações adversas,
variando desde desconforto leve até condições médicas graves.
Consequências do calor na saúde física
Estresse térmico e desidratação
A exposição prolongada ao calor faz com que o
corpo aumente a produção de suor para tentar esfriar o organismo. No entanto,
essa resposta natural pode levar rapidamente à perda de líquidos, resultando em
desidratação (Organização Mundial da Saúde).
Sintomas comuns incluem:
- Sede
intensa;
- Tontura
e fraqueza;
- Câimbras
musculares;
- Irritabilidade;
- Tensão
arterial instável.
A desidratação compromete várias funções
corporais e pode evoluir para problemas mais sérios se não for tratada.
Exaustão e insolação térmica
Quando a capacidade do corpo de dissipar calor
é ultrapassada, pode ocorrer a exaustão térmica, caracterizada por:
- Pele
quente e úmida;
- Pulso
acelerado;
- Náuseas;
- Dor
de cabeça.
Sem tratamento, a exaustão térmica pode
progredir para o golpe de calor (heat stroke), que é uma emergência médica.
Nesta condição, a temperatura corporal interna pode ultrapassar 40 °C, levando
à falência de órgãos, confusão mental, convulsões e, em alguns casos, à morte (Organização Mundial da
Saúde).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),
as mortes associadas a ondas de calor vêm aumentando significativamente, com
dezenas de milhares de mortes ocorrendo apenas na Europa em anos recentes. (Climate-ADAPT)
Agravamento de doenças crônicas
Pessoas que já vivem com doenças pré-existentes,
como diabetes, problemas cardiovasculares e respiratórios, são particularmente
vulneráveis a períodos prolongados de calor. O estresse térmico pode:
- Aumentar
a pressão arterial;
- Sobrecarregar
o coração;
- Intensificar
sintomas de asma e DPOC;
- Comprometer
o controle glicêmico.
Isso porque o calor acrescenta uma pressão
extra ao corpo que já está lidando com uma condição crônica, tornando o
equilíbrio fisiológico mais difícil de manter (Organização Mundial da
Saúde).
Problemas renais e distúrbios metabólicos
A desidratação crônica pode afetar os rins,
levando à formação de cálculos renais, redução da função renal e, em casos
extremos, à insuficiência renal. A combinação de calor intenso e baixa ingestão
de líquidos aumenta o risco desse tipo de problema, especialmente em
trabalhadores expostos ao sol por longos períodos.

Calor extremo e consequências para o cérebro e saúde mental.
Consequências do calor na saúde mental
O impacto do calor não se limita ao corpo, ele
também afeta de forma significativa o cérebro e o equilíbrio emocional.
Aumento de sintomas psiquiátricos
Estudos mostram que períodos de calor intenso
estão associados a um aumento em sintomas de ansiedade, depressão,
irritabilidade e até comportamentos agressivos. Pessoas com transtornos mentais
preexistentes, como depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar, tendem a
apresentar piora dos sintomas durante ondas de calor. (World Economic Forum)
Relação com o risco de suicídio e crises
psiquiátricas
A pesquisa científica sugere que existe uma
correlação entre temperaturas elevadas e o aumento de risco de suicídio e
tentativas de suicídio. Por exemplo, um estudo encontrou que, para cada aumento
de 1 °C na temperatura média mensal, as mortes relacionadas à saúde mental
aumentaram em cerca de 2,2%. (World Economic Forum)
Adicionalmente, altas temperaturas estão
ligadas a um aumento nas internações psiquiátricas e visitas a serviços de
emergência por motivos de saúde mental, especialmente em populações
vulneráveis. (Climate-ADAPT)
Estresse emocional e sensação de cansaço
O calor constante pode interferir diretamente
na qualidade de vida e no humor, gerando:
- Irritabilidade
e frustração;
- Dificuldade
de concentração;
- Redução
da paciência;
- Sensação
de sobrecarga;
Esses efeitos, embora possam parecer
“emocionais”, têm bases biológicas: o estresse térmico pode impactar
neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como serotonina e dopamina.
Exaustão mental e redução da resiliência ao
estresse
Assim como afeta o corpo, o calor pode
minimizar a capacidade de enfrentamento ao estresse diário. A falta de conforto
térmico compromete o sono, altera hábitos e pode criar um estado de fadiga
crônica que afeta o desempenho no trabalho, as relações pessoais e a capacidade
de tomada de decisões.
Calor, sono e recuperação do estresse
A relação entre temperatura ambiente e sono é
forte e bem documentada. O corpo precisa de um ambiente mais fresco para
iniciar e manter o sono profundo. Quando noites quentes se tornam frequentes:
- A
latência do sono aumenta (ou seja, leva mais tempo para dormir);
- O
sono é fragmentado;
- A
fase de sono profundo é reduzida.
A falta de sono restaurador compromete a
capacidade do corpo e do cérebro de se recuperar do estresse físico e emocional
do dia. Com o tempo, isso pode desencadear um ciclo contínuo de:
Noites mal dormidas → mais irritabilidade e
estresse → maior sensibilidade ao calor → piora no sono
Essa combinação torna mais difícil manter um
estado emocional equilibrado, levando a um agravamento geral da saúde mental.
Grupos mais vulneráveis ao impacto do calor
Embora todos possam sofrer com o calor extremo,
alguns grupos estão em maior risco de efeitos adversos:
✔️ Idosos: com
menor capacidade de termorregulação e maior prevalência de doenças crônicas. (Organização Mundial da Saúde)
✔️ Crianças: com
sistemas fisiológicos ainda em desenvolvimento. (Organização Mundial da Saúde)
✔️ Trabalhadores expostos
ao sol: como agricultores e trabalhadores da construção civil. (Organização Mundial da
Saúde)
✔️ Pessoas com
transtornos mentais: maior risco de agravamento de sintomas. (Climate-ADAPT)
✔️ Pessoas em condições
socioeconômicas vulneráveis: com menos acesso a ambientes
frescos e climatização.
O que os especialistas recomendam
Para minimizar os efeitos negativos do calor na
saúde física e mental, várias instituições de saúde pública, como a OMS, enfatizam
medidas como:
Monitorar alertas de ondas de calor e proteger
grupos vulneráveis
Planos de ação de saúde pública podem
identificar taxas mais altas de mortalidade e internações durante eventos
extremos e criar protocolos de resposta rápida. (Organização Mundial da
Saúde)
Promover hidratação constante
Beber água regularmente, mesmo sem sede, é
crucial para reduzir o risco de desidratação.
Adequar ambientes domésticos e de trabalho
Uso de ventilação adequada, áreas de sombra,
pausas em ambientes frescos e estratégias de resfriamento.
Educação sobre os sinais de alerta do corpo
Reconhecer os sintomas de exaustão térmica ou
de um início de problema de saúde pode salvar vidas.
Cuidar da saúde mental também significa cuidar
da noite, é investir em você e no seu futuro. Agende sua sessão de psicoterapia.
Referências Científicas e Relatórios
- WHO
– Heat and health: calor é um risco crescente para a
saúde global, incluindo mortalidade e agravamento de doenças crônicas. (Organização Mundial
da Saúde)
- WHO
– Health impacts of heatwaves: calor excessivo pode
causar exaustão, golpe de calor e agravar condições pré-existentes. (Organização Mundial
da Saúde)
- World
Economic Forum – Heatwaves and mental health:
ondas de calor estão relacionadas a aumento em visitas emergenciais e
sintomas psiquiátricos. (World Economic Forum)
- Estudos
científicos – Associação entre temperatura e saúde mental:
aumento de mortalidade e morbidade mental com cada 1 °C adicional. (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)
- Relatório
sobre calor e saúde mental: evidências de aumento de
suicídio e demanda por serviços de saúde mental durante altas
temperaturas. (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)
- Brasil
Ministério da Saúde – Mudanças climáticas e impacto na saúde mental:
calor prejudica termorregulação e é um fator de risco relevante. (gov.br)



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